Coleção · cinco anos · uma marca · um arco de carreira.
Era 2018. Meu primeiro emprego de designer numa agência de marketing pequena no Rio. Um único designer fazia as peças da Chilli Beans — cliente esporádico, mas com cuidado redobrado: marca em escala nacional, sem margem pra erro.
Quando o designer veterano saiu, o cliente caiu no meu colo. Eu mal tinha portfólio. Aceitei sem saber se daria conta.
Não dei só conta. Dei trabalho que ninguém viu vindo. Em meses, eu era o designer da Chilli.
De aprendiz com sorte a designer-parceiro da marca. Cada ano carregou um projeto-marco que pra mim definiu uma virada — técnica, conceitual ou de carreira.
A relação atravessou todos os territórios de design da marca — do editorial denso ao espaço físico do varejo, do educacional interno ao engajamento de equipe. Cada categoria me ensinou algo distinto.
Catálogos, yearbooks, manuais. Onde a marca conta histórias longas e organiza seu próprio tempo.
KVs, calendários, e-mail marketing. A comunicação contínua que mantém a marca presente.
Gamificação interna que mistura branded entertainment com cultura corporativa. Comunicar com vendedores em escala nacional não é trivial — é design de motivação.
Identidade visual e material da Universidade Chilli — programa de treinamento de novos vendedores.
Estandes para eventos, quiosques e o totem de aeroporto. Onde a marca sai da tela e ocupa o espaço físico.
Peças avulsas, projetos pontuais, materiais que não cabem nas outras categorias mas faziam parte do dia-a-dia.
Os projetos que mais me marcaram dessa coleção — cada um com seu blueprint próprio publicado. Use-os como portas de entrada pra essa relação.
O mundo parou. 1.300 lojas fecharam. Em 12 semanas, transformamos um catálogo em ferramenta de venda viral pelo WhatsApp.
O melhor ano da história da Chilli contado em retrospectiva. Yearbook editorial que celebra 879 PDVs, CEO da Década, Star Wars, Rock in Rio, MOB Cruise.
Engajamento de vendedores em escala nacional através de uma narrativa de super-heróis. Primeira grande prova de fogo na marca.
A Chilli ocupando o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Design de espaço de varejo num contexto de fluxo intenso e tempo limitado de atenção.
Identidade visual do programa de treinamento de novos vendedores. Design educacional aplicado à cultura interna da marca.
Aceitar uma marca nacional sem ter currículo pra ela me ensinou que experiência se constrói executando, não esperando o momento certo. A Chilli me deu a chance que eu não tinha como pedir.
Trabalhar pra uma marca que já era ousada por natureza me deu permissão de ser ousado também. Aprendi que a marca certa permite o designer ser quem é.
Erro numa peça pra 879 lojas vira viralização ao contrário. Aprendi a medir cada decisão pelo alcance — não pela ideia bonita, mas pela ideia que aguenta multiplicar.
Quando saí da agência, a Chilli me seguiu. Foi a maior prova de valor reconhecido que recebi até hoje. Relacionamento com cliente não tem CNPJ — tem confiança construída em entrega.
Em 6 anos atravessei 6 frentes de trabalho na mesma marca. Hoje sei que minha força não é fazer uma coisa só muito bem — é resolver qualquer linguagem visual que a marca precisar.
Em 2023 fiz o último job pra Chilli. Não foi briga, não foi drama — foi fim de capítulo. Designer maduro entende que toda parceria tem temporada, e o legado dela continua valendo depois que termina.
Em algum momento entre 2019 e 2020, saí da agência onde tinha começado. O cliente Chilli Beans optou por continuar comigo direto em vez de buscar substituto na agência.
Foi o maior elogio profissional que eu já tinha recebido na carreira até ali. E continuou sendo por muito tempo depois.
"Era a prova de que o trabalho tinha virado mais importante que onde ele era feito."
O último trabalho que entreguei pra Chilli foi em meados de 2023. Não foi planejado como despedida — só foi o último.
Olhando agora, em 2026, vejo que foi um arco completo: comecei júnior numa agência aceitando um cliente que ninguém ia querer dividir comigo, e saí designer sênior com 6 anos de relação direta com uma das maiores marcas do varejo brasileiro.
A Chilli não foi só cliente. Foi onde eu me formei.
Inventário em ordem cronológica dos projetos memorables. Alguns têm blueprint próprio publicado, outros ainda serão catalogados. Esse índice é vivo — será atualizado conforme garimpo arquivos.
— inventário em curadoria contínua —
Índice de coleção pessoal
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